Dal Portogallo la recensione del gesuita Andreas Lind

Ecco la recensione di p. Andreas Lind (nella foto), gesuita, apparsa su Ponto SJ (il portale dei Gesuiti in Portogallo). Lind recensisce l’edizione portoghese del mio volume “Jorge Mario Bergoglio. Una biografia intellettuale”: “Jorge Mario Bergoglio. As raízes do pensamento do Papa Francisco” (Lucerna, 2019). «Il testo di Borghesi», è la sua sintesi, «mi sembra una lettura importante non solo per capire i gesti e le parole dell’attuale pontificato di Francesco, ma anche per rendersi conto di come il pensiero di Bergoglio sia in continuità con i grandi teologi e autori che hanno segnato la sua generazione».

Leggi qui https://pontosj.pt/opiniao/papa-francisco-um-intelectual/ l’articolo nel sito Ponto SJ.

L’edizione portoghese del volume sul pensiero di Bergoglio

Papa Francisco: um intelectual?

A editora Lucerna publicou recentemente a tradução da obra do professor de filosofia moral e ensaísta Massimo Borghesi cujo título original, em italiano, se apresenta como Una biografia intellettuale de Jorge Mario Bergoglio (Jaca Book, 2017). Traduzido pelo Frei Ary E. Pintarelli, ofm, a versão portuguesa do livro intitula-se Jorge Mario Bergoglio. As raízes do pensamento do Papa Francisco (Lucerna, 2019). Trata-se de um estudo importante e bem fundamentado sobre as fontes intelectuais que moldaram a formação de Bergoglio. Desvanece-se, assim, o preconceito que por vezes paira numa certa opinião pública segundo o qual, contrariamente aos seus predecessores, nomeadamente o reputado teólogo Ratzinger, o atual Papa seria incapaz de se dirigir a elites culturais devido às lacunas da sua formação e à ênfase exageradamente pastoral que ele teria impregnado no seu pontificado.

Através do teor filosófico do pensamento e da ação do Papa Francisco, Massimo Borghesi conduz-nos ao olhar complexo, e poliédrico, a partir do qual o atual líder da Igreja católica considera e vive o cristianismo na era da globalização. Esclarece-se, dessa forma, o sentido e a pertinência dos documentos magisteriais, das ações e dos gestos mais significados do atual pontificado, nomeadamente no que diz respeito à tensão entre as diferenças que a unidade não resolve. Na “complexa relação entre unidade e diversidade está o núcleo do pensamento «católico» de Bergoglio” (ibid., p. 27); “O modelo que, a propósito, Bergoglio oferece é dado por uma imagem geométrica que lhe é cara e que volta mais vezes aos seus textos: a imagem do poliedro (…) A diferenciação poliédrica representa bem a ideia da unidade na diferença, do uno de muitas faces” (ibid., p. 162).

Desvanece-se, assim, o preconceito que por vezes paira numa certa opinião pública segundo o qual, contrariamente aos seus predecessores, nomeadamente o reputado teólogo Ratzinger, o atual Papa seria incapaz de se dirigir a elites culturais devido às lacunas da sua formação e à ênfase exageradamente pastoral.

Romano Guardini, que muita influência exerceu sobre o teólogo Joseph Ratzinger, surge como um dos autores mais importantes de Bergoglio, um jesuíta que chegou mesmo a iniciar um projeto de doutoramento centrado na teologia desta figura marcante para os padres da sua geração. “A sua aprofundada leitura das obras de Guardini – especialmente L’Opposizione Polare e La Fine dell’Epoca Moderna – tinha, claramente, produzido os seus frutos: Bergoglio procurava substituir a dialética hegeliana dos opostos antinómicos por aquela que ele próprio definia como «uma mútua interação de realidades» (…) «a tentação acontece sempre quando se procura resolver mal o conflito: “reduzir” a tensão a um equilíbrio instável […] ou anulá-la através da adesão a um dos polos»” (ibid., pp. 167-168). A dialética de Guardini entre pólos opostos que se unem numa tensão permanente permite que Bergoglio atualize conceitos tais como coincidentia oppositorum numa visão de Igreja e do mundo para a qual nem a globalização das sociedades contemporâneas nem a unidade da Igreja anulam as diferenças de uma realidade que se quer poliédrica.

Como todos os jesuítas do seu tempo, Bergoglio manifesta o seu apreço por Gaston Fessard. A leitura de La dialectique des “Exercices spirituels” de saint Ignace de Loyola marcou-o profundamente e, através de Fessard, Bergoglio faz-se próximo do pensamento de um Henri de Lubac ou até mesmo de um Maurice Blondel. “É desta ascendência blondeliana que, através de Fessard, deriva o modelo dialético que Bergoglio repensará depois de modo original. Trata-se de um aspecto importante para compreender a génese do pensamento do autor, um pensamento que muito deve ao blondelismo da escola jesuíta de Lyon, a de Fessard e de Lubac” (ibid., p. 41). A esperança que acredita piamente numa natureza não completamente pura, isto é, jamais separada de Deus e da Sua graça, permite que Bergoglio interaja saudavelmente com todas as esferas políticas e sociais, mesmo com aqueles que se encontram mais afastados das fronteiras eclesiais. Trata-se de algo que Bergoglio sempre fez, não só agora na qualidade de Soberano Pontífice, mas já enquanto sacerdote e bispo de Buenos Aires.

Surge assim o modelo de Pedro Fabro (1506-1546), uma figura querida a todos os amigos da espiritualidade inaciana e da Companhia de Jesus. Enquanto Michel de Certeau nos apresente a figura de Fabro como um modelo de “padre reformado” que nos inspira ainda hoje no nosso mundo secularizado, Bergoglio deixa-se tocar pelo exemplo daquele que foi o primeiro sacerdote jesuíta: “Falando com o padre Spadaro acerca desse homem [Pedro Fabro], Francisco mostra apreciar o «diálogo com todos, também os mais distantes e os adversários; a piedade simples, talvez alguma ingenuidade, a disponibilidade imediata, o seu atento discernimento interior, o facto de ser homem de grandes e fortes decisões e ao mesmo tempo capaz de ser tão, tão doce»” (ibid., pp. 291-292).

Uma leitura importante, parece-me, não só para compreender os gestos e palavras do atual pontificado de Francisco, mas também para se aperceber de como o pensamento de Bergoglio se encontra, apesar de tudo, em continuidade com os grandes teólogos e autores que marcaram a sua geração e a Igreja onde um evento como o Concílio Vaticano II despoletou.

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